Sábado, Julho 11, 2009

chá e simpatia...

"Filha, a partir de uma certa idade, não se pode emagrecer em demasia. [pausa] É que ainda se fica a parecer... pobre!"

Dito assim, de forma lapidar, na mesa ao lado, entre tragos de earl grey e dentadinhas nos petit fours...

Quarta-feira, Julho 08, 2009

note to self [13]

The saddest part of a broken heart
Isn't the ending so much as the start.
The tragedy starts from the very first spark
Losing your mind for the sake of your heart.

Feist, Let it die, o mood do dia.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

some day

The man I love, nos Cravos [Nelken] de Pina Bausch.

when i am laid in earth...


... [...] remember me, remember me, but ah! forget my fate.

Lembrando Pina Bausch com o lamento de Dido, de Purcell, no Café Müller.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

instructions for silence

Kairos, Sísifos y Zombies, L'Alakran, no Mugatxoan, há pouco em Serralves.

o meu "synthetic poem" para a "person of [my] choice": para ti

Sexta-feira, Junho 26, 2009

... que vous & moi

Uns terão sempre Paris, mas nós por cá regressamos sempre a Marienbad. À Marienbad de Resnais e Robbe-Grillet, entenda-se.
A preto e branco e em traje de noite.

Sim, sim, a paisagem por aqui continua não tanto melancólica como com saudades do futuro (é um cliché, reconhecemos, mas é para isso que eles servem...).

Quarta-feira, Junho 24, 2009

note to self [12]

"I should like to bury something precious in every place where I've been happy and then, when I was old and ugly and miserable, I could come back and dig it up and remember."

Evelyn Waugh, Brideshead Revisited, 1945. As imagens são da série de televisão da ITV, de 1981, e o estado de espírito é, como de costume, o nosso.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

of a kiss...

... [that] first trembling made me freeze, then shot like fire all over.

Sweeter than Roses, Henry Purcell pela soprano Emma Kirkby

Domingo, Junho 21, 2009

beira mar


Ao fim de seis anos a norte do Douro conseguira, pela primeira vez e em dias consecutivos, entrar na água e tomar um banho de mar. Consequências do aquecimento global, justificou-se a si próprio ao oitavo banho do dia. Reconhecer que podia estar, finalmente, a habituar-se àquela geografia continuava, no seu entendimento, a ser uma razão menos plausível.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

do tempo e do lugar


Falou-lhe do mesmo sítio num outro tempo (havia até uma fotografia, guardada algures). Não lhe disse (não soube dizer-lhe?) que, apesar de inesperada, aquela era talvez a altura (se calhar não a mais propícia, mas a que se apresentava) de fazerem um tempo (só) seu.

Quarta-feira, Junho 17, 2009

note to self [11]

É o título de um livro, mas podia ser o mote para o nosso tempo presente...
É que há alturas em que não dá jeito nenhum estar a tirar notas.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

jamais vierge | jamais vide

"Aucune nature n'est jamais vierge, puisque notre regard n'est jamais vide."

Alain Roger, Des Essences Végétales aux Essences Idéales, in L'Arbre dans le Paysage, Jean Mottet (dir.), Éditions Champ Vallon, 2002.


Já tinhamos referido aqui, en passant, e de forma menos directa ou óbvia também aqui, as nossas convicções sobre a (des)virgindade da natureza, convicções que partilhamos com Alain Roger (e Simon Schama e Augustin Berque, entre outros), mas também ainda não é desta que as vamos por aqui argumentar ou desenvolver. Simplesmente não resistimos a partilhar esta frase de abertura de um texto de Roger numa colectânea sobre o papel da árvore na nossa cultura visual (colectânea que no avant-propos lança logo no primeiro parágrafo pequenas farpas à proliferação rizomatosa de Deleuze...).
Com textos (ainda por ler) que abordam, por exemplo e entre outros temas, o jardim-paraíso nas miniaturas Persas a propósito do cinema de Kiarostami, parece-nos que em breve voltaremos a ver por aqui citações do mesmo tomo...

Quarta-feira, Maio 27, 2009

follow me

"En sortant des bains, aller sur le milieu de l’Orangerie; après du costé du labirinte, y faire une pause pour considérer les orangers et le chasteau.
Passer sur le haut de Latonne, y faire une pause, aller au Marais, où il y aura du fruit et des glaces.
Descendre à Cérès et à Flore.
Entrer aux bains d’Apollon, en faire le tour.
Aller à l’Ancellade, sortir par en bas pour aller à la salle du Conseil.
Revenir passer à Flore.
Entrer à la Montagne.
Aller au Théâtre passant par Cérès.
Venir repasser devant le marais sans y entrer.
Aller aux trois fontaines par le haut, y trouver des glaces.
Descendre pour aller à Neptune, faire le tour du Dragon.
Entrer à l’arc de triomphe.
Repasser à Neptune, faire le tour en dehors, faire trouver les carosses à la grille qui va à Trianon. "


Louis XIV, Manière de montrer les jardins de Versailles le 19 juillet 1689, à 6 heures du soir (transcrito de Le Goût des Jardins, textes choisis et présentées par Jacques Barozzi, Mercure de France, 2006).


Entre 1689 e 1705, Louis XIV escreveu 6 versões da Manière de montrer les jardins de Versailles, a primeira das quais, transcrita acima, para a visita de Maria Beatrice D’Este, Rainha consorte de Inglaterra e da Escócia. Estes “guias autorizados” de Louis XIV destinavam-se não apenas a mostrar (de maneira própria) os jardins de Versailles através de um percurso e um movimento significativamente ritualizados do visitante estrangeiro e da própria corte (em passeio e durante as festas) mas, sobretudo, a promover uma experiência mediada dos jardins e, consequentemente a provocar uma reacção, no caso, a sedimentação de um discurso absoluto e absolutista: o jardim como espelho da magnificência do Rei-Sol.
Precedidos pelo medieval Roman de la Rose e o veneziano Hypnerotomachia Poliphili de 1499, romances cujos personagens experienciavam paisagens e jardins num percurso de (re)conhecimento de sentidos e significados, os guias de Louis XIV anteciparam por meio século o Dialogue upon the Gardens of the Right Honourable the Lord Viscount Cobham at Stow in Buckinghamshire de 1748 (um diálogo imaginado por William Gilpin entre dois igualmente imaginários visitantes que descodificava o jardim de Stowe) e as sequentes preocupações com a experiência do Jardim e da Paisagem no período Pitoresco (cuja grafia como Pictoresco seria bastante mais exacta) do final do século XVIII.

Vem esta (algo longa e aparentemente críptica) introdução a propósito de, por um lado, nas nossas actuais leituras se incluir o tomo The Afterlife of Gardens, de John Dixon Hunt, um estudo sobre a recepção e a experiência do Jardim (ou dos jardins) e, por outro, nos vermos mais uma vez nas vésperas de guiar terceiros num percurso matinal por um jardim em particular e, como em todas as vezes anteriores, nos questionarmos sob a forma de simultaneamente espacializar e verbalizar essa experiência. Ou seja, que possibilidades de leitura do jardim proporcionar aos companheiros de deambulação a partir do texto verbal e espacial construído pelas opções do que, e como, se mostra (ou não) e do que se diz (ou omite).
Ou, mais prosaicamente, que caminho seguir e o que dizer.

Se o eventual leitor se sentir curioso pela visita, ou tentado pelo pequeno-almoço, frugal, no fim daquela, encontramo-nos às 8 horas do próximo sábado.

Sábado, Abril 18, 2009

elle...


Para S. nestes, desejam-se passageiros, dias cinzentos.

Elle, Paris, elle connait très bien, la rue, les princes, le baratin, les manières chiques de s’ennuyer, de se tenir droite et de s’habiller.
On se résiste avec élégance, on boit, on fume, on se dit "quelle chance...".
On a même pas besoin de danser, on est ensemble sans se parler.

A letra é de On est ensemble sans se parler (L.O.V.E.) dos United Future Organization, e (esta estrofe) podia ser sobre as nossas soirées na CdM.
A imagem é Virgina, de Julian Opie, mas podia ser S. se ele a conhecesse...

garden politics [and religion]


[Mr. Talmann] How is it, Mr. Neville, that you have contrived to make the garden so empty of people?

[Mr. Neville] The authority for these drawings, Mr. Talmann, comes from Mrs. Herbert. Do you think that she is a woman who enjoys having a prowl of people kicking her gravel around, or move her hearth like a pack of dogs in her herb garden? I would seek peace and quiet in a garden, and noise and excitement in a carnival.

[Mrs. Talmann] Carnem levare! So, Mr. Neville, you would reserve your revelries for a religious occasion… And what of Gethsemani?

[Mr. Talmann] A wild sort of garden, I shouldn’t wonder!

[Mr. Neville] Surely, Mr. Talmann, there would be no geometric paths, and no Dutch bulbs...

[Mrs. Talmann] Well, we have a Cedar of Lebanon and a Judas Tree… Perhaps we should cultivate a Tree of Heaven?

[Mr. Talmann] The gardens of England are becoming veritable jungles. Such exotics are grossly unsuitable. If the Garden of Eden was planned for England, God would have seen to it.

[Mr. Neville] The Garden of Eden, Mr. Talmann, was originally planned for Ireland, for it was there, after all, that Saint Patrick eradicated the snake…

[Mr. Talmann] The only useful eradication that ever happened on Ireland, Mr. Neville, was performed by William of Orange, four years ago on my birthday.

[Mr. Neville] And happy birthday to you, Mr. Talmann! And if you are not too old to receive presents, perhaps the gardener and I can find a snake for your orangerie…

[Mr. Talmann] … What??!